É com orgulho e satisfação que apresentamos o site jurídico do CEERT.
Aqui você poderá encontrar referências legais, doutrinárias e
jurisprudenciais a respeito de duas matérias candentes: a igualdade racial e a
liberdade de crença.
A pesquisa de jurisprudência contemplou tribunais de justiça de 24
estados, tribunais regionais federais e do trabalho, tribunais superiores,
Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal
Há dados alentadores: atualmente não apenas a jurisdição criminal
como também a cível e trabalhista vêm se debruçando sobre a problemática da
discriminação e do preconceito racial e religioso.
Na Justiça trabalhista, por exemplo, chama a atenção o crescente número
de julgados que reconhecem o dano moral decorrente de discriminação racial,
bem como o assédio moral resultante desta.
Na área cível, são expressivos os julgados que declaram a
constitucionalidade das ações afirmativas, fixam indenizações por danos
morais e materiais relacionados com discriminação racial e religiosa e se
debruçam sobre ações civis coletivas e/ou públicas.
Na seara da liberdade religiosa as decisões judiciais revelam a emergência
deste tema: o direito à liberdade religiosa é invocado em ações que visam
desobrigar indivíduos de certos procedimentos médicos; litigantes reclamam da
imposição de credo religioso no ambiente de trabalho; guardadores do sábado
invocam a garantia constitucional da objeção de consciência para não serem
obrigados a realizar atividades civis naquele dia; decisões reconhecem os
efeitos civis do casamento realizado nas Religiões Afro-brasileiras,
asseguram-lhes o efetivo exercício da imunidade tributária e declaram a
legalidade do abate religioso de animais.
Comparando-se a pesquisa que resultou neste site com uma outra feita pelo
CEERT em 1997, podemos afirmar que diminuiu substancialmente o número de
julgados em que prevalecem as convicções pessoais de promotores e juízes, em
detrimento da lei. Mesmo na justiça criminal, na qual há doze anos detectamos
resistências à aplicação da lei penal antidiscriminação, atualmente a lei
é a principal referência dos debates que se travam nos tribunais.
Decerto há ainda um longo caminho para a efetiva e plena aplicação do
aparato normativo que protege a igualdade racial e a liberdade de crença. No
entanto, é possível afirmar que é cada vez maior o número de advogados,
promotores e juízes que se vêem diante de casos envolvendo aqueles temas e se
dispõem a fazer valer a lei, aplicando-a independentemente de suas convicções
pessoais.
Nossa expectativa é que o presente site colabore para subsidiar o
trabalho dos operadores do direito, pesquisadores, líderes sociais e
religiosos, na esperança de que a população negra e as vítimas de discriminação
religiosa tenham seus direitos não apenas declarados mas sobretudo exercidos no
cotidiano.